10 de janeiro de 2013

Criança na fé


No início da nossa caminhada na fé, tudo é novidade, mas, ao mesmo tempo, muitas coisas ainda não estão totalmente claras para nós. Somos imaturos. Apesar disso, seguimos em frente porque temos o desejo de servir a Deus.



Tudo isso é bastante natural. Aliás, estamos na fase inicial do processo, dando a largada nesse caminho novo. Apenas com o tempo iremos amadurecer, porque as futuras experiências farão de nós pessoas mais fortes e nos darão as respostas para todas as perguntas.


O problema não é nascer como uma criança na fé - aliás, é exatamente isso que acontece com todo mundo, assim como o ser humano nasce criança (e não adulto formado), o mesmo acontece na vida com Deus. O problema é permanecer como uma criança na fé mesmo depois de estar tanto tempo na presença de Deus. Assim como não é normal um ser humano permanecer criança para sempre, se não há crescimento espiritual com o passar do tempo significa que alguma coisa está errada.


A principal característica de uma pessoa que ainda é criança na fé é esta: ela pensa que a maioria das coisas não são para ela.


Eu passei exatamente por isso, e quero compartilhar minha experiência com vocês.

Cresci dentro da igreja. Frequentei a EBI desde cedo, já devolvia meus dízimos e participei da Fogueira Santa antes dos meus 10 anos, aprendia histórias bíblicas muito novinha...

Mas, quando completei 11 anos, era hora de deixar a EBI - já que 10 anos era a idade máxima permitida. Na época, não havia grupo de pré-adolescentes (ou TF Teen, como hoje é conhecido) - pelo menos não que eu soubesse. Então o jeito foi ir assistir as reuniões da igreja no salão, junto com os demais adultos.

Me lembro muito bem desse dia. Chorei muito, não queria deixar a "escolhinha". Me senti totalmente sem lugar no meio de tanta gente grande, falando coisas de gente grande, fazendo coisas de gente grande.

Logo a choradeira passou - eu sabia que chorar não ia adiantar nada, mas chorei porque me senti muito triste mesmo. Pedi a Deus para que Ele me ajudasse, e, depois de alguns dias, eu já havia me acostumado com minha nova realidade.

Eu sempre assistia as reuniões junto com minha família, continuava devolvendo o dízimo e prestava atenção em tudo que era feito. Mas eu não conseguia entender muitas coisas, porque a maneira como eu estava acostumada a ouvir a pregação na EBI era muito diferente da que o pastor/bispo pregava, pois ele o fazia em uma linguagem para adultos. É claro que eu não tinha culpa, aliás, era apenas uma criança, tanto fisicamente quando espiritualmente.

Lembro que nessa época, quando ia ler a Bíblia sozinha, também não entendia a maioria das coisas - principalmente do antigo testamento. Mas me recordava das histórias que ouvi na EBI, e ainda refletia sobre elas.

Quando completei 13 anos, me batizei nas águas - eu esperava muito por esse dia! - e fiquei extremamente feliz com isso. Sempre foi meu sonho, mas antes dessa data eu ouvia dizer que ainda era muito criança pra isso, e deveria esperar um pouco mais. Com 13, eu tinha a consciência do que estava fazendo. Queria servir o Senhor Jesus para sempre, e isso já estava no meu coração há muito tempo.

O problema surgiu anos mais tarde. Inconscientemente, mesmo com o passar dos anos, eu ainda levava esse pensamento de que era apenas uma criança, que não podia fazer isso ou aquilo. Nem eu sabia que pensava assim naquela época - descobri isso recentemente. Eu continuava indo às reuniões, ouvindo as pregações, devolvendo os dízimos, orando, lendo a Bíblia... E as coisas permaneciam do mesmo jeito: não entendia muito sobre os assuntos, e, embora praticando o que eu já sabia, não percebi que esse fato passou a ser um problema - eu pensava que era algo natural.

Fiz 16 anos... Muita coisa no exterior havia mudado, mas o meu interior ainda estava o mesmo. Eu pensava que estava perto de Deus, pensava que fazia tudo certinho, e não via que o pensamento de criança estava me prejudicando e não permitia que as coisas se esclarecessem dentro da minha cabeça.

Por causa dessa imaturidade espiritual, fazia coisas que não agradavam a Deus e eu nem me dava conta disso! Eu havia me tornado uma adolescente muito emotiva, que se derretia com músicas e amores imaginários, que seguia o seu coração pensando que estava fazendo a vontade de Deus. Eu acreditava tanto nisso que chegava a agradecer ao Senhor Jesus pelas consequências de más escolhas que eu tinha feito - já que elas se fantasiavam de boas escolhas. Eu estava agindo e reagindo de forma errada, sendo enganada pelo pensamento de que o que eu fazia era suficiente - porque eu "era uma criança", e fazia coisas de criança, pensava eu.


Um dia a ficha caiu (demorou, mas caiu!). Cheguei a uma determinada situação angustiante, e pedi a Deus que fizesse a sua vontade em minha vida - há muito tempo eu não fazia um pedido como esse. Aí, o que aconteceu depois disso era o que eu menos esperava. Foi algo que me machucou muito. Mas o mais duro da história era saber que o que havia acontecido era a vontade de Deus.


Descobri que a minha vontade era totalmente oposta à vontade de Deus. Descobri que havia desagradado a Ele durante muito tempo sem perceber. Descobri que, o que eu pensava ser a coisa certa, era a errada. Descobri que estava perdida.

Mas, ao mesmo tempo, eu ainda carregava algo dentro de mim: a sinceridade e confiança em Deus. A prova disso foi quando, depois que o pior aconteceu, orei a Deus e disse: "Meu Deus, me perdoe por essas lágrimas, meu Pai. Eu sei que, se o Senhor permitiu que isso acontecesse, era o melhor pra mim. Eu não queria chorar, mas está doendo muito, por favor, me perdoe. Eu nunca vou deixar de acreditar no Senhor, nunca."


Apesar de ainda pensar como criança, algo de bom eu tinha e isso fez com que eu não me afastasse de Deus. Pelo contrário, foi aí que me agarrei a Ele com todas as minhas forças. Eu ainda tinha o desejo de servi-Lo, minha vida pertencia a Ele, eu só queria fazer a coisa certa. A sinceridade de quando eu ainda era criança estava dentro de mim.



Daí, pensei comigo mesma: "Está faltando alguma coisa. Sei que já me batizei nas águas, já entreguei minha vida a Deus, não sou desobediente com meus pais, não sou como as outras jovens desse mundo. Mas o que é? O que é que faltou em mim para que eu fizesse as coisas erradas, assim, sem perceber?" 


Comecei a me concentrar bastante nisso. E acabei descobrindo que o que me faltava era o Espírito Santo.

Eu pensava que o Espírito Santo era "coisa pra gente grande". Pensava que ainda era muito nova para recebê-Lo. Além disso, não conseguia entender o que ele significava e fazia, não compreendia sua importância totalmente. Eu ouvia as pregações que falavam sobre Ele, mas pensava que não era pra mim, e não entendia tudo. Mas, pouco tempo depois de fazer 17 anos, eu percebi que já tinha passado da hora. Percebi que estava atrasada, que havia parado no tempo.

Comecei a desejar o Espírito Santo mais do que qualquer coisa na minha vida. Comecei a ir às reuniões de quarta-feira, o que antes eu não fazia - minha mãe até estranhou quando eu disse que iria começar a ir, mas ficou muito feliz, e até passou a me deixar andar sozinha de ônibus para lugares mais distantes, o que antes eu não fazia. Eu pensava no Espírito Santo todo dia, toda hora, ia pra reunião pensando, voltava da reunião pensando... Eu não sabia porque eu não tinha recebido ao decorrer das semanas, mas eu cria que um dia iria acontecer.

Mas, enfim, chegou o grande dia. Ah, que dia!!! Naquele dia eu conheci verdadeiramente o Deus que servia. Eu me encontrei Nele. Minha mente se abriu de uma forma extraordinária! Naquela mesma quarta-feira, eu cheguei em casa com uma vontade imensa de ler a Bíblia. Decidi ler toda em um ano - acabei terminando antes disso - e o que mais me surpreendia é que eu entendia tudo! E, além disso, Deus me revelava coisas incríveis, que jamais imaginei que poderiam ser extraídas de histórias que eu já "conhecia".

Essa é a minha experiência. E o que aprendi nisso tudo? Que devemos ter a sinceridade e a pureza de uma criança, mas não os pensamentos e limitações de uma. Coração de criança e mente de adulto. É a combinação que faz um ser humano conhecer a Deus.

Nós provocamos nosso crescimento espiritual, através da nossa entrega e do nosso envolvimento com as coisas de Deus. Não devemos parar de crescer! E, mesmo não sendo mais crianças na fé, devemos continuar buscando esse crescimento, para não ficarmos estacionados no tempo, correndo risco de cair  e voltar a ser criança outra vez!

Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.


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